Um pouco de Mario Quintana
- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
Mario Quintana (In: Poesia Concreta)
Natural de Alegrete (RS) e filho de Celso de Oliveira Quintana e de Virgínia de Miranda Quintana, este gaúcho nasceu em 30 de julho de 2006 e passou a viver em Porto Alegre a partir de 1919. Poeta das coisas simples e da perfeição, um tanto irônico em algumas das suas palavras, viveu quase a vida toda na capital do Rio Grande do Sul.
Mário ou Mario? Com ou sem acento? Eis uma dúvida cruel. Registrado como Mário, passou a adotar Mario desde uma entrevista concedida a Edla van Steen, em 1979, usando dessa maneira até o fim da vida.
Aqui em Porto Alegre há a Casa de Cultura Mario Quintana, lugar maravilhoso e em que este grande poeta viveu por vários anos. Ali, antes de ser tombado e transformado em centro cultural, funcionava o Hotel Majestic, seu penúltimo endereço. Fora homenageado ainda em vida, graças a Deus!
Quando eu tinha uns 9 anos, cursando a 4ª série do antigo 1º Grau (nossa, estou ficando velhinha!), tive uma professora de Português muita querida e que me apresentara o “mundo encantado” das poesias e poemas, da literatura. Jamais esqueci da “Tia” Fátima, do antigo CETEP (atualmente, CESEP), em Belém. Decorei de tal maneira que lembro até hoje, nos mínimos detalhes, do poeminha Bilhete, deste querido poeta.
E por ironia do destino, hoje moro na cidade deste que fez eu me apaixonar pelas palavras…
BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…
(Mario Quintana)
SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ªfeira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mario Quintana (In: Esconderijo do tempo)
Continue lendo >>Este texto faz parte da Blogagem Coletiva “Abre Aspas Terceira Edição”, organizada pela Lunna, do Teorias Impossíveis. No dia 09/11, amigos blogueiros escolherão um poeta ou uma poesia para deixar a blogosfera um pouco mais poética. Para saber mais e ver também as outras postagens dos participantes, Clique Aqui.


















